12 Julho, 2009

You Are Not Alone


E este post é uma excelente desculpa para interromper o marasmo a que o Fishes tem estado votado ultimamente, bem como postar um vídeo do que era a minha banda favorita quando era pré-adolescente (ah bem, todos temos coisas escuras no nosso passado...)

E fica também um abraço muito grande para o Uno, e para todos esses lutadores e lutadoras que são as pessoas transsexuais.

08 Junho, 2009

Contas Básicas

Quem fez algum tipo de modificação ao fenótipo sexual e se prostitui, fá-lo sobretudo em Lisboa e no Porto, e também quase sempre na rua. A visibilidade elevada desta situação permite alguma contagem - se o número total for maior que 50, não chegará aos 100. Destes, uma percentagem elevada ou até maioritária, não o fez num quadro de transsexualidade, mas por motivos desde a autohomofobia (e a aparente normalização que uma mudança de sexo traria), doença mental (como mitomania, esquizofrenia), fetiches sexuais, etc.

Mesmo incluindo situações de pseudo-transsexualidade, numa população total de pelo menos 1,000 pessoas transsexuais (que poderá chegar às 3,000 ou mais), a percentagem de quem se prostitui, seria, no máximo, entre 5 a 10%. Perante este facto, é difícil acreditar que os média insistem em perpetuar o estereótipo preconceituoso da prostituição omnipresente entre a população transsexual - que é uma profecia que se autoconcretiza, uma imagem que contribui para uma constante estigmatização da população transsexual.

E porque é que continua, vez após vez, a aparecer? Talvez porque há muitas menos pessoas transsexuais do que LGB, e muito menos contacto directo da população com a transsexualidade real, de carne e osso. Porque os média ainda não sabem o que é a transsexualidade, não têm grande desejo de aprender, ou de mostrar alguma responsabilidade social. Porque é mórbido e vende. Porque mudar ideias feitas é mais difícil que alimentá-las. Porque há pseudo-transsexuais que só conseguem suavizar o sofrimento que uma escolha errada trouxe à sua vida, e relativizar a sua falta de integração social, trazendo a transsexualidade real até ao nível da sua dor. Porque há homossexuais que, por alguma razão misteriosa, são convocados a falar do que desconhecem, e, ou por desconhecimento, ou também para relativizarem as suas próprias fobias, reproduzem o preconceito.

04 Junho, 2009

Vergar

Por vezes passo perto da obra abandonada numa perpendicular à Avenida Fernão de Magalhães onde o corpo quebrado de Gisberta foi encontrado, há mais de três anos. Estive poucas vezes frente à vedação que cobre o espaço, e a semana passada decidi tirar dez minutos do meu caminho para o rever. Tudo na mesma, o abandono material a espelhar ironicamente outros. E veio-me à cabeça a letra de uma canção de Pedro Abrunhosa que tinha escutado na rádio durante a tarde.

Porque as câmaras de gás
não ficaram para trás

estão aqui à minha frente

Eu só quero estar presente

de novo em Nurembrega

porque um povo não se verga

Trek Undone


É tarefa pouca grata opinar sobre o último Trek. Quem o vir, concerteza já conhecerá a saga do Caminho das Estrelas, que se estende desde há mais de 40 anos - talvez menos em Portugal, onde foi desde o início (infelizmente) promovido como uma série juvenil sem grandes aspirações sérias, e as séries atiradas para horários tardios, e até retiradas da programação sem aviso. De resto, o campo estaria aparentemente dividido entre quem é fã mais presente, e quem presta atenção só ocasional à franchise, ou até olha com alguma derisão para a cultura Trek, propriedade, para eles, de fãs obcecados e com pouca ligação à realidade. Se para os primeiros, não ser absolutamente fiel ao espírito Trek seria anatéma, para os outros até haveria alguma satisfação em ver o sacrilégio acontecer.

Em face a isso, e à quebra de popularidade da franchise a partir de Enterprise e os filmes a seguir a First Contact, também não era tarefa grata a que J.J. Abrams tinha pela frente. O caminho mais previsível seria inovar de qualquer forma - e foi exactamente isso que Abrams fez.

Como fã, vou aproveitar para exorcizar alguns sacrilégios menores. Foi estranho ver as naves escolherem não disparar durante as batalhas espaciais - em vez disso, atiram confetti umas sobre as outras. Entrar em warp foi substituído por um barulho perturbadoramente parecido com uma função corporal, seguido do desaparecimento inesperado da nave. Chekov e o seu sotaque parecem mais vindos da Polónia que da Rússia. Karl Urban tenta, mas ser McCoy não lhe está nos ossos. E Chris Pine é quase tão mau a representar Kirk como William Shatner - o ego, do tamanho de uma galáxia, continua intacto.

Mas o compromisso entre inovar e ser fiel ao cânone que Abrams encontrou é coisa um pouco mais séria: poucos fãs vão alinhar na existência de linhas temporais distintas que Abrams sugeriu na apresentação do filme. Para muitos, o filme é dizer que investimento em 5 séries e 10 filmes ao longo de quatro décadas foi para nada - tudo o que aconteceu foi apagado do mapa temporal pelos acontecimentos do novo Trek. Provavelmente não foi inconsciente da parte de Abrams, e que teria desagradado a talvez ainda mais gente se a inovação que tinha de acontecer não passasse por abanar a estrutura inteira do Caminho das Estrelas, mas ameniza pouco o choque.

O pior do filme, contudo, não passa por aí, e há momentos de acção que convencem, bem como algum humor que cativa (é difícil o novo Scotty não provocar algumas gargalhadas). O que me fez sentir mais traída, e a grande falha do filme, foi o completo abandono do comentário social que era a fundação do Caminho das Estrelas, e a sociedade utópica que deixava como exemplo para o futuro da humanidade. O abandono começou em Voyager, continuou em Enterprise, e, infelizmente, também neste novo filme. Desde o primeiro beijo interracial permitido na televisão americana (entre Kirk e Uhura), a crítica à guerra fria, o humanismo e laicismo como contraponto ao fanatismo religioso, os direitos das mulheres, era esse o motivo principal do Trek para muitas pessoas... e é pena não o ver ressuscitado.

Apelo


Um pequeno vídeo de um amigo que dá uma perspectiva do que é ser-se homem, jovem e transsexual. Vale a pena, e é exactamente mais disto que gostava de ver - são as pessoas transsexuais quem têm o imprescindível saber de experiência feito, e o direito e dever, de falarem por elas próprias. Fica, pela undécima vez, o apelo a que se exprimam, por qualquer maneira que vos agradar mais. Não dói nada... e o que têm para dizer é importante!

(e o autor fica de parabéns, não menos ainda por ter feito o vídeo com o modesto Windows Movie Maker ;)

02 Junho, 2009

It's Time to Pass Legislation and Chew Bubble Gum... and We're All Full of Gum

Pois sim. A 3D Realms reduziu o staff, despedindo quase todos os programadores envolvidos com DNF. A batalha jurídica com a Take 2 acaba de começar, e as perspectivas de Duke voltar a ver a luz do dia são as piores desde 1997.

Por outro lado, sempre há mais tempo para entretanto sair uma Lei de Identidade de Género em Portugal. Neste momento, vale muito a pena relembrar, nenhum partido com assento parlamentar, do PP ao BE, ofereceu sequer uma perspectiva de vir a apresentar uma proposta de lei num futuro próximo, longínquo, ou assim-assim. Não são precisos um motor gráfico 3D novo, 30 ou 40 programadores e 20 milhões de dólares de investimento - só um legislador para copiar isto, e cinco minutos para aprovar a proposta na AR.

Baron Cohen Aterra Em Eminem



Sacha Baron Cohen, o actor por trás de Ali G. e Borat, entrou literalmente a voar na última MTV Movie Awards. Na pele de Bruno, um repórter austríaco gay, e vestido de anjo, voou pela sala preso por cabos, até parar mesmo por cima de Eminem. Sem ainda se saber se foi acidental ou propositado, os cabos pararam, e Cohen começou a descer até aterrar bem em cima do rapper, com as nádegas descobertas dele quase a tocarem na cara de Eminem. Depois dos guarda-costas e colegas dos D12 terem empurrado Cohen com pouca delicadeza, Eminem saiu da sala, visivelmente aborrecido.

O curioso é o contraste entre a personagem de Cohen e muitas das letras das canções de Slim Shady (o alter ego do
rapper), fortemente LGBT-fóbicas e chegando a fazer até algum apelo à violência contra as pessoas LGBT.

27 Maio, 2009

Mais Tourada


E estes são momentos de pura arte... voadora.

26 Maio, 2009

Tourada de Morte


Não costumo gostar muito de juristas - conheço alguns que são profissionais e pessoas sem repreensão, mas sobretudo muitos que ajudam a deixar a justiça portuguesa num estado particularmente pouco inspirador. Mas Manuela Moura Guedes é um dos items na minha lista de razões pelas quais espero, um dia, deixar Portugal. Soube perversa e relativamente bem ver o touro, por uma vez, retribuir a cornada verbal.

22 Maio, 2009

Respect the Caviar



Com ou sem as legendas soramimi, o clip, quase 30 anos depois, bem podia ser a próxima gay anthemn.

 
Opus Gay and other lazy transphobic idiots, please take notice:

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